ALÉM DA TAXA DE JUROS
O desafio imediato de Warsh será navegar nesse mesmo conflito entre as exigências de Trump para o corte de juros e os dados econômicos que deixam pouco espaço para isso. A taxa de desemprego dos EUA permanece em 4,3%, relativamente baixa, enquanto a inflação, outra questão importante que o Fed gerencia, permanece bem acima da meta de 2% do banco central e provavelmente vai subir.
Quando Warsh presidir sua primeira reunião de política monetária em junho, poderá ser uma vitória para ele se impedir que seus pares do Comitê Federal de Mercado Aberto, que estabelece os juros, digam que um aumento dos juros pode ser realmente necessário. Três autoridades do Fed discordaram na reunião de 28 e 29 de abril em favor de uma nova linguagem nesse sentido, e essa tendência pode ganhar impulso com base na ampliação da inflação para além do que pode ser atribuído às tarifas ou à elevação dos preços do petróleo.
Powell teve cerca de seis meses depois que Trump o promoveu ao cargo de chefe do Fed em 2018 antes que o presidente começasse a repreendê-lo e, a essa altura, os investidores não esperam cortes nos juros antes de 2028.
Warsh, em discursos, entrevistas e audiências públicas ao longo do ano passado, apresentou vários argumentos para explicar por que a taxa de juros ainda pode cair, apesar dos dados atuais: os ganhos de produtividade decorrentes da inteligência artificial podem tornar tudo mais barato; a redução da carteira de títulos de prazo mais longo do Fed pode justificar taxas de curto prazo mais baixas; e medidas alternativas e mais precisas da inflação mostram que os preços estão subindo mais lentamente do que as enfatizadas atualmente pelo Fed.
Embora ele possa ter argumentos razoáveis sobre qualquer um desses itens, reforçá-los com pesquisas convincentes e convencer as autoridades levará tempo, se é que isso será possível.
Ex-funcionários e autoridades do Fed disseram que os primeiros passos mais prováveis seriam Warsh encomendar uma série de revisões internas, seguidas de debates no Fomc e, mais tarde, possíveis mudanças em coisas como regras para reservas bancárias – um caminho possível para um balanço patrimonial menor – ou a incorporação de diferentes dados de inflação nas discussões.
Warsh também indicou que gostaria de alterar algumas ferramentas de comunicação de longa data, como o Sumário de Projeções Econômicas trimestral, que inclui o gráfico de pontos das projeções de juros. Há uma ampla insatisfação com relação a aspectos do sumário, por exemplo, o que torna essa uma possível área para uma reforma mais rápida.
Mas tanto os sumários divulgados pelo banco central quanto as coletivas de imprensa realizadas pelo chair do Fed se tornaram ferramentas poderosas para moldar as expectativas do público. Em uma recente pesquisa do Brookings Institution com especialistas do Fed do setor privado e acadêmico, quase todos os 29 entrevistados consideraram a coletiva de imprensa após a reunião como ‘útil ou extremamente útil’ e pouco mais da metade disse o mesmo sobre o sumário e o gráfico de pontos.
As coletivas de imprensa, em particular, são ‘um padrão internacional’ para explicar as decisões de política monetária e as perspectivas econômicas, disse o ex-presidente do Fed de St. Louis, James Bullard, reitor da Mitch Daniels School of Business da Purdue University. ‘Acho que seria difícil mudar isso.”
Em outras questões, ex-funcionários e autoridades do Fed dizem que as propostas de Warsh precisariam ser examinadas como qualquer outra.
Já estão circulando ideias sobre como reduzir o balanço patrimonial, por exemplo, mas há ceticismo sobre a noção de Warsh de que a redução dos títulos permitiria cortes nos juros.
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